Cada lugar tem o DJ que merece

Open versus closed headphones

But, critically, open headphones also let your music out. Even if you’re listening at a moderate volume, everyone in the room will hear a tinny, annoying version of your music. So open headphones are a poor choice for environments with people nearby, such as open offices, home use with anyone else in the room, airplanes, buses, or trains. (Don’t be that guy on the subway.)

Um review (até resumido pro padrão Marco Arment) sobre fones de ouvido.

O melhor é que lá, no metrô, quem incomoda é quem usa fone de ouvido que deixa um pouquinho do som escapar, mas eu trocaria os DJs de ônibus daqui pelos de lá a qualquer hora.

Bibliotecária 2.0

Você está lendo Nick Hornby e a cada página ele cita pelo menos uma música que você não conhece. Ou então você lê A volta ao mundo em 80 dias e imagina os lugares por onde Phileas Fogg passa. Ou, ainda, o livro que você está lendo é tão cheio de referências e livros e pessoas que metade do tempo você está pesquisando sobre ele. Todo mundo já deve ter passado por isso: ler um livro é uma coisa, mas aprofundar-se sobre ele é uma experiência completamente diferente.
Essa era a minha vida, vasculhando a Wikipedia e outros redutos mais obscuros da internet para poder entender melhor uma passagem, ouvir uma música relevante para a trama ou procurar imagens sobre os locais visitados pelos personagens. Até hoje, quando conheci o Small Demons.
Uma comunidade trabalhando para documentar referências sobre livros: as músicas, os locais, as imagens, pessoas e até mesmo outros livros citados no que você está lendo. Tudo isso num repositório organizado, que inclui até trechos do livro relacionados a cada item e outras obras que compartilham dessas referências. Fantástico.
Ainda está engatinhando, mas tem potencial para crescer, principalmente o envolvimento é característico do público que mais se interessará pelo projeto. Eu usei pouco do site– recebi meu convite hoje–, muitos escritores famosos ainda não tem obras relacionadas por lá e algumas funcionalidades não estão prontas, mas é um prazer relembrar as coisas que você descobriu enquanto lia.

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(…) American Airlines said the use of the Apple Inc. devices will reduce enough weight that it would cut the airline’s annual fuel bill by about $1.2 million.

É comum uma empresa tomar uma decisão— como quando um banco deixa de suportar um navegador— que, para nós do lado de fora, parece algum capricho ou alguma escolha errada. Nessas horas, eu sempre defendo que a decisão faz sentido, mas nos faltam as ferramentas e informações para percebê-lo.

Este caso da American Airlines é a mesma coisa: a empresa decidiu substituir os manuais de voo por iPad’s. À primeira vista, pode parecer parte do hype e desejo de passar imagem de antenada, mas a empresa justifica que trocar a papelada da cabine (que pesa cerca de 15kg) por um iPad (que pesa 600g) implicaria uma economia de combustível equivalente a US$1.2 milhão de dólares por ano.

A companhia tem uma frota de aproximadamente 600 aeronaves, ou seja, a economia no primeiro ano, só em combustível, já compensaria a compra de iPad’s 64Gb 3G + WiFi— o modelo mais caro, que US$829 + impostos, nas lojas (e provavelmente a AA não compraria o modelo mais caro e certamente compraria a um preço menor). Além disso, imagine o quanto não seria economizado com impressões de novos manuais de voo e transporte destes— sem falar em valores mais difíceis de serem quantificados, como a facilidade em atualizar manuais mais frequentemente, por exemplo.

A novidade deveria ser que mais empresas não estão indo pelo mesmo caminho!

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Living as close as possible to your ideal self | Unclutterer

I believe it’s important to live as close to our ideal self as possible. I love my job, but I work because I need to. Working provides me with the means to live as close to my ideal as I can and to be responsible for the things I value.

Assino embaixo. O ponto desse post no Unclutterer é que existem coisas que nós gostamos de fazer, mas isso nem sempre é o que paga as nossas contas e a satisfação está em equilibrar os dois.

Independente de qual é a atividade que mais traz satisfação a uma pessoa, na maior parte do tempo essa satisfação tem um custo— tanto de tempo quanto de dinheiro— e caso se torne uma obsessão para a pessoa a pessoa não tardará em estar esgotada, endividada, (mal) comprometida. Por outro lado, se o acúmulo de recursos para essa satisfação— trabalho e economias para reservar dinheiro, técnicas de aumento de produtividade para liberar tempo— não se refletir na realização dessas atividades prazerosas, o acúmulo torna-se, também, uma obsessão em si mesma.

O equilíbrio está em saber privar-se de alguma satisfação para ter condições de realizar uma prioridade, mas também saber reconhecer quando a privação deve acabar— não adianta a pessoa sonhar em conhecer o Japão e não sair da cama para trabalhar, mas também não adianta trabalhar por 30 anos e, apesar de ter condições de realizar o sonho, não fazê-lo.

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A big piece of the story we tell ourselves about who we are, is that we are willing to invent. We are willing to think long-term. We start with the customer and work backwards. And, very importantly, we are willing to be misunderstood for long periods of time. (Via GeekWire)

Em uma reunião de acionistas da Amazon, o sucesso atual da empresa estava sendo associado à uma abordagem conservadora de riscos. Um acionista foi além, e perguntou a Jeff Bezos, CEO da empresa, onde estão as falhas se a empresa se diz pautada em inovação. Ótima pergunta, já que é esperado que algumas ideias não se tornem grandes negócios— mas melhor foi a resposta de Bezos, que não só explicou como a empresa pensa, mas também deu lições valiosas.

Segundo ele, 90% das inovações na Amazon são melhorias marginais, incrementais e, portanto, trazendo menos risco ao negócio da empresa. Isso significa que não só os sucessos facilmente passam despercebidos, mas também as falhas. O princípio de Pareto já prevê 20% das inovações vão trazer 80% dos resultados, mas isso não quer dizer que os outros 80% das inovações podem ser ignorados. Ele também diz que eles são teimosos com sua visão, não permitindo que a flexibilidade para aceitar mudanças nos detalhes comprometam o resultado desejado.

Entretanto, a lição de ouro nessa conversa é a afirmação de que a Amazon está disposta a ser mal-entendida por muito tempo. Nem sempre os objetivos de uma decisão são claros para todos desde o início e é preciso apostar no sucesso da ideia (já vi propostas morrerem porque cobranças de curto prazo sobre resultados de longo prazo minaram a credibilidade do projeto). A maturidade na gestão de uma empresa está justamente nisso: saber reconhecer quais iniciativas valerão a pena (mesmo que demore e o valor não seja imediatamente percebido) e ter capacidade de acreditar e manter essa postura mesmo quando as pressões por resultados mais rápidos surgir.

É como uma borboleta saindo do casulo: o casulo deve ser preservado e não adianta forçar para que ela saia antes do tempo; ela não está pronta. Mas, num ambiente de recursos limitados, também é fundamental saber de quais casulos sairão borboletas e de quais não sairá nada.

New Butterfly

O poder de influenciar comportamentos

Economists have recently tapped into an unusual feature of this data, the identification of peer groups within high schools, to directly measure effects of peer pressure on risky behavior. Specifically they ask the question: If a student’s best friend engages in a risky behavior (sex, smoking, marijuana use or truancy) then what is the probability that the friend will engage it the same behavior? Best friends tend to come from similar family situations, be the same race and age and have similar educational goals as well as similar attitudes toward risk. (Via Big Think)

Interessante texto relacionando o poder de influência que o círculo social tem sobre uma pessoa. Segundo o estudo apresentado no texto, se um amigo próximo de um adolescente apresenta um comportamento de risco (sexo sem proteção, drogas, ausência na escola), o próprio adolescente está mais propenso a exibir esse comportamento do que os membros de um grupo de controle. O texto é muito mais voltado para gravidez na adolescência, mas eu vejo uma questão comportamental que pode ser explorada ali.

No Big Think, o autor sugere que uma explicação para essa replicação de comportamentos de risco é que amigos tendem a passar tempo juntos e é este tempo que acaba expondo ambos (o que já apresenta o comportamento de risco e o que que ainda não o apresenta) a situações em que favoreçam esses comportamentos— por exemplo, um adolescente que não bebe e um amigo que bebe em excesso vão a uma festa em que a maior parte das pessoas também bebe em excesso; o adolescente que não bebe está muito mais exposto a uma situação que sugira uma mudança de comportamento do que seu amigo.

Isso faz sentido, mas me parece mais um sintoma do que uma causa. Eu queria ver abordado a relação entre as características comuns que aproximam duas pessoas e sua predisposição a mudar seu comportamento, ou seja: meu amigo apresenta uma série de características que o inclinam a assumir um comportamento de risco; como ele é meu amigo porque temos características em comuns, será que eu não apresento essa mesma inclinação? (Acredito que sim) Será que se o jovem “responsável” tivesse assumido comportamento de risco antes do amigo “irresponsável”, a influência teria sido a mesma? (Acredito que não)

O que a nuvem realmente é

The idea is this: Your data is the computer.

This is the new world that Apple is creating. Where your data resides, the device you use to access it, how it is saved, where it is saved, how to manipulate it, how to back it up, how to recover if you make changes to it that you did not intend, all will be things you don’t have to think about.

Your data will be available to you on any device you own. It will be left exactly as you last left it. You can open it in any application that it is able to open it. Should your computer crash, do not fear, your data is safe. And when you get a new machine, simply log into it and all of your data will be there in short order. Buy a new Mac, a new iPhone, and new iPad, simply log in and the data will be there too. (Via Minimal Mac)

Finalmente alguém olhou para a WWDC  de 2011 não como o amontoado de novidades (que me deixaram extremamente empolgado e esperando os próximos meses como louco) mas como o que ela realmente foi: o momento em que a Apple costurou os espaços entre os nossos aparelhos e iniciou a mudança de perspectiva que vamos começar a ver em breve. Estamos no futuro.

Pajaros enojados

Angry Birds deixou há tempo de ser um sucesso da App Store para se tornar um sucesso pop. Além dos jogos, já foram lançados versões de pelúcia, chinelos, jogo de tabuleiro, capas para iPhone e a lista continua.

Agora, se tem uma coisa que marca a passagem de fenômeno na internet para fenômeno “de verdade”, é a hora em que as pessoas começam a fazer adaptações e referências no mundo real (e usar o tema para como alavanca) e que mesmo quem não sabe do que se trata passa a se interessar pela simples inclusão. Foi justamente isso que a T-Mobile fez em Barcelona, montando um stand interativo ENORME, impossível de ser ignorado não só pelo quanto é legal, mas pela multidão que se formou para se divertir junto.

Evernote Peek

“Talento é acertar o alvo que ninguém acertou. Gênio é acertar o alvo que ninguém viu”

Não lembro quem cunhou essa frase, mas pensei imediatamente nela quando vi o novo lançamento do Evernote.

O Evernote é um excelente programa, o iPad é um excelente produto e a Smart Cover é a capa mais legal que existe, mas ninguém viu o Evernote Peek chegando e não tem como não achar genial essa interação entre hardware e software.

Flash cards não são muito comuns aqui no Brasil, mas são uma ferramenta de estudo que consiste em um cartão com uma pergunta sobre o material de um lado e uma resposta do outro. O Evernote Peek aplica essa ideia usando a possibilidade de abrir a Smart Cover em estágios para mostrar uma pergunta e, em seguida, a resposta e a possibilidade de travar o iPad 2 fechando a capa para trocar de pergunta. Ele é um aplicativo separado (gratuito) que transforma as notas em um caderno do Evernote em uma série de perguntas, onde o título da nota é uma pergunta e o corpo da nota é a resposta. Não dava para ser mais simples, mas só pelo vídeo já dá pra ver como seria divertidíssimo usar e não envolve nenhum aprendizado ou custo novo (assumindo que você já tenha um iPad 2 e uma Smart Cover!).

Olhar pra quê?

Semana passada eu comprei um iPod Shuffle e fiquei de cara com a facilidade em controlar todas as funções sem nenhum visual, só usando som e tato. Aí eu conheci o projeto de Dennis Hong e achei o controle do Shuffle tão moderno quanto uma TV preto-e-branco.

Durante uma palestra no TED, Hong comenta que participou de um projeto para criar um carro controlado somente por computador. Quando ficou sabendo do projeto para criar um carro para cegos, ele pensou que seria só colocar uma pessoa dentro do carro projetado et voilà. Ele não tinha ideia de onde estava se metendo.

Dirigir um carro no meio de outros carros, com diferentes obstáculos e atitudes inesperadas de outros motoristas exige um poder de análise que computadores ainda conseguem oferecer, e é aí que entra o desafio do carro para cegos: como fornecer ao motorista todas as informações necessárias para que ele dirija com segurança sem usar visuais? Juntando um projeto ao outro: computadores para fazer a leitura do ambiente, ser humano para interpretar tudo isso e dar ordens. Câmeras e sensores varrem o ambiente, traduzem as informações para um padrão inteligível ao motorista (sons, pressão), que toma decisões sobre o controle do carro e o sistema se retroalimenta. Fantástico.

Lições de vida (para tecnófilos)

“If you are in school today the technologies you will use as an adult tomorrow have not been invented yet. Therefore, the life skill you need most is not the mastery of specific technologies, but mastery of the technium as a whole — how technology in general works. I like to think of this ability to deal with any type of new technology as techno-literacy” (Via The Technium)

Quem tem contato com tecnologia já percebeu que ela evolui cada vez mais rapidamente e tem se tornado cada vez mais difícil acompanhar cada novo serviço, plataforma, rede social, aparelho… Para fazer bom uso dessa evolução, o essencial é encontrar a medida certa entre acompanhar as novidades (para não deixar oportunidades passarem) e ignorar as novidades (afim de ter contato com o que já existe). O Technium publicou um artigo sugerindo habilidades que nós, usuários, precisamos desenvolver para encontrar essa medida certa e vale muito a pena ler.

Um outro lado disso é que, sabendo como um usuário pode tirar mais proveito da tecnologia, quem faz essa tecnologia pode destacar-se se souber se adaptar a esse usuário. Pensando nisso, eu peguei algumas das habilidades do post original e, do alto da minha capacidade de achar, sugeri como um produto/serviço pode aplicar isso para ter mais sucesso:

Aprender uma nova ferramenta freqüentemente implica desaprender uma antiga

Eu não diria desaprender, mas é preciso saber que toda ferramenta tem sua própria maneira mais eficiente de ser aplicada. Você não pode esperar que todo mundo que usa email siga os mesmos costumes de quando usavam cartas, mas também não pode usar cartas esperando que sigam-se os costumes de email.

Tire períodos sabáticos

As ferramentas precisam aprender que algumas pessoas vão usá-las 24h por dia, outras só aos finais de semana e outras quase nunca, e não se pode passar para o usuário a responsabilidade de “entrar no pique”. Um exemplo é a Priority Inbox do GMail, que, idealmente, consegue separar o joio do trigo na correspondência, quebrando a organização por ordem de chegada por uma de importância (imagine a diferença que isso deve fazer depois de uma semana sem olhar seus emails).

Seja fácil de ser trocado

Ninguém quer ser substituído, mas às vezes é a própria dificuldade em mudar de ideia depois que desencoraja que um usuário teste um produto. Ajude o usuário a passar a usar o seu produto, mas também ajude-o a parar de usar o seu produto, se for o caso. O oposto disso é, por exemplo, e quando você quer migrar de uma rede social para outra, mas suas conexões não o seguem e acabam tornando-se um obstáculo à migração.

Qualidade nem sempre é relacionada ao preço

Na verdade, qualidade é uma questão de valor, e valor é decidido pelo consumidor. Foco em qualidade, em apresentação, em atendimento, mas que o consumidor não percebe é difícil de ser cobrado no preço.

Entender como uma tecnologia funciona não é necessário para usá-la bem

Aqui a Apple vem à mente com sua insistência em esconder o sistema de arquivos no iOS. Foque em ajudar o usuário com soluções, não com possibilidades de ferramentas (eu só preciso ver as fotos no meu celular quando quero fazer alguma coisa com elas, o resto do tempo eu as quero fora da minha frente).

Os riscos de uma nova tecnologia devem ser comparados aos riscos da tecnologia antiga, ou nenhuma tecnologia

Entenda que a questão para o consumidor não é o seu produto ou o do seu concorrente, já que não consumir também pode ser uma opção. Na verdade, são duas vendas que precisam ser feitas: a venda da problema e a venda da sua solução.

Ninguém sabe para quê uma nova invenção realmente vai ser boa. Para avaliar, não pense; tente

Não puna o usuário por tentar. Encoraje seu acerto, mas também encoraje seus erros (mas certifiquem-se que o usuário vai aprender com eles e não será punido).

Para a lista completa, do ponto de vista do usuário, não deixe de ler o texto original.

There is no try

Distractions have never prevented a Writing Writer Who Writes from writing; distractions are an excuse proffered by Non-Writing Non-Writers Who are Not-Writing for why they are not writing. In my humble opinion. (via Merlin Mann)

A razão de eu ter decidido voltar a escrever aqui, mesmo sem ter a qualidade que eu queria. Como Yoda mesmo disse, não existe tentar, só existe fazer. E isso é independente do ambiente ou das suas ferramentas.

Ou você faz, ou você não faz.

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O novo sedentário

We are no longer hunter-gatherers of information. In the 21st century, we’ve managed to replace the little bits physical activity left in our lives with sitting.

We’ve become sedentary all over again—and on a scale that would have been unimaginable to anyone even twenty years ago. (via Practically Efficient)

Bom post comparando a transição da cultura de caçadores para agricultores com a transição atual: deixarmos de buscar informação porque agora ela vem até nós. O autor aborda dois pontos principais: esta mudança não é saudável (física e metalmente) e a curadoria programada pode trazer o efeito contrário— e em vez de mais informação, nos tornar alheios ao que acontece fora da nossa bolha de interesses. Vale a lida.

Ele também ilustra o ponto positivo da primeira mudança, já que só quando não era mais necessário todo homem saber caçar que os especialistas (carpinteiro, ferreiro, artesão) puderam aparecer. Isso provavelmente acontecerá novamente e, assim que a informação estiver disponível em volumes nunca vistos, uma nova classe de “interpretadores” vai surgir (se já não está surgindo).

Um ponto que ele deixa de notar é que, apesar dos problemas trazidos pelo sedentarismo, os benefícios foram muito maiores e trouxeram a humanidade até aqui— e só é possível imaginar o tamanho do salto que será com o acesso em massa à informação. Além disso, os efeitos negativos agiram sobre indivíduos, enquanto os positivos afetaram toda uma comunidade. Os cuidados com saúde e curadoria são legítimos, mas eu estou mais otimista do que pessimista.

I’m back!

Acabei de ver que faz mais de um ano que postei aqui pela última vez. Nesse meio tempo, eu também postei (e depois sumi por um tempão) no tumblr e no Posterous, mas acho que o WordPress é quem vai me servir melhor mesmo, então vou trazer tudo de volta pra cá e voltar a ter alguma atividade por aqui. Aguardem!

750 palavras

Hoje eu comecei uma nova encrenca! 750 palavras.

O 750words.com é um site que conheci na semana passada e que tem um simples propósito: te dar um espaço para escrever.

A ideia é de manter algo como um diário mesmo, ou um repositório de ideias, mas vem apoiada numa ideia de que, para ajudar a clarear ideias e organizar o pensamento, é saudável escrever 3 páginas por dia. A criadora do site diz que a média para uma página é conter 250 palavras, daí as 750 do título. Apesar de calculado em inglês, acho que em português o número seria parecido, mas convenhamos que o número é ilustrativo e eu ninguém seria prejudicado por escrever 628 palavras por dia.

O site mantém um contador para você saber quanto já escreveu, mantém um ranking entre os usuários e tenta manter não um clima de competição, mas de grupo, já que todos se deram o mesmo desafio e estão nessa juntos. Também existe um espaço que eu não pude experimentar, mas que parece bem legal: eles olham pelas palavras que você escreveu e tentam categorizar isso pra definir seu estado emocional e seus interesses, e aí te mostram pessoas que têm escrito coisas parecidas com você. Eu só não sei se vai funcionar já que eu pretendo escrever muito mais em português do que em inglês.

Como primeira experiência lá, foi bem difícil tirar assunto pra escrever 3 páginas sobre nada mas, como eu disse lá, acho que com a prática de escrever e de ler durante o dia já pensando que posso escrever sobre isso mais tarde, a tarefa tende a se tornar mais fácil e eu espero daqui a 1 mês já estar escrevendo com muito mais facilidade, mas isso eu venho mais tarde aqui e digo.

Um outro proveito que eu espero poder tirar de lá é, a exemplo de hoje, o que eu escrever lá me inspirar pra vir aqui e escrever também, principalmente porque aqui eu tenho espaço pra ser muito mais multimídia. Em suma: espero voltar a postar aqui e postar com mais frequência do que antes.

E a leitura?

Ainda no hype do iPad, impossível de fugir na última semana se você acompanha qualquer coisa na internet, muita gente comenta como existe potencial para se revolucionar a maneira como livros são lidos, possibilitando a inserção de gráficos dinâmicos, vídeos e pesquisas de opinião no meio de textos. Isso já era comentado antes mesmo do Kindle 2, mas minha crítica é outra.

A leitura sempre foi vendida como um exercício, como um esforço mental que traz como resultado um melhores condições de abstração, raciocínio, imaginação, criatividade. Acontece que a aparição desses extras no meio do texto servirá não só para complementar a informação, mas para também facilitar seu entendimento. Um exemplo é um gráfico difícil de interpretar: muito mais cômodo recebê-lo interpretado através de uma animação do que interpretar por si só. E essa facilidade pode ser extrapolada para qualquer outro tipo de informação.

Sem dúvida, maior facilidade no acesso à informação implica maior difusão de informação(que, não custa frisar, é diferente de conhecimento). Além disso, o condicionamento que antes era fruto do exercício e, por isso tinha a conotação de capacidade, agora passa a ter sentido de conformismo, já que a mesma interpretação será oferecida(e preguiçosamente aceita) por muito mais pessoas.

Não adianta tentar lutar contra essa mudança, o modelo de publicação impressa não tem condições de reverter esse cenário. A necessidade é de se preparar, pois a distância entre a massa e os que criticam só vai aumentar.

Minha experiência com o 1password 3

Eu até costumo comentar rapidamente minha experiência com aplicativos e sites no Twitter, mas hoje tive uma que estou até feliz de mencionar.

O 1password 3 foi lançado no fim do ano passado e eu resolvi testá-lo, já que até tinha uma licença da versão anterior mas nunca tinha visto muita vantagem sobre o Keychain, que vem nativamente no MacOS X. Entretanto, a nova interface, uma promoção em que a versão para iPhone estava grátis e as notícias cada vez mais frequentes de senhas roubadas me refizeram mudar de ideia(eu costumava ter o mesmo nome de usuário e senha em praticamente todos os serviços que uso).

Além de gerenciar suas senhas, o software gera senhas(de bem simples até as completamente cabulosas), armazena notas importantes, gerencia licenças de outros programas e tem um botão que fica ao lado da barra de endereço do navegador, fazendo o login de sites com 2 cliques — sendo que eu nem preciso mais saber qual a senha absurda por trás do serviço agora. Na verdade, atualmente eu só sei 3 senhas: do meu email principal, do banco e do Dropbox, onde fica guardado o backup com todas as outras senhas.

Agora o que mais me motivou a fazer o review foi que meu período de trial estava acabando e eu resolvi pagar pela atualização da minha licença da versão 2 para a 3. Depois de pagar, tive a ideia de fazer um upgrade de usuário único para uma licença família, para compartilhar com minha namorada e meu irmão. Como não achei no site nenhuma informação sobre isso, resolvi mandar um email para o suporte do site e hoje chegou a resposta:

Resposta de um dos criadores do 1password 3

Em suma, o programador estava doente, melhorou e na onda de bom humor de volta ao trabalho, fez meu upgrade de graça :) Não só foi muito rápido na resposta como foi bem generoso. Mesmo não custando nada pra ele, achei uma ótima maneira de tratar um cliente. Eu recomendaria o programa a quem me consultasse, mas agora virei fã!

A década vista por crianças de 9 anos


Eu sempre gosto de ver como alguém fora dum ambiente o percebe e este vídeo é exatamente sobre isso: crianças nascidas no ano 2000 comentando eventos do final da última década.

Sem contar tudo, é muito interessante ver a reação deles ao ouvir o som da internet discada conectando e como eles se referem à cantora de “Baby, one more time” — isto é, aquele que sabia de quem se tratava.

O mais curioso de tudo é não só o saudosismo que o vídeo traz, como a visão despretensiosa de tudo. Meus avós sem dúvida teriam respostas tão desinformadas quanto das crianças, mas já carregadas de pré-concepções.

O vídeo tem apenas 6 minutos e vale muito a pena assistir, nem que seja só pela diversão.

E finalmente um uso útil pro Google Wave

Desde o lançamento do Google Wave, as pessoas entravam, viam que era legal, percebiam que não tinham visto utilidade e o abandonavam. Das waves em que participo, diversas com mais de 100 participantes já ficaram mais de uma semana sem atualizar nada. Eu já estava dando o Wave como natimorto.

E aí veio o Seattle Times, que com todo o preconceito de velha mídia, conseguiu ajudar a polícia a encontrar um criminoso por lá(e pelo Twitter, claro).

Após ser registrado o ataque a 4 policiais, o jornal criou uma wave pública e usou o Twitter para trazer pessoas para colaborar. A wave chegou a atingir quase 500 pessoas, comentando, ajudando a divulgar e até usando um mapa para “seguir” o procurado, que acabou sendo preso.

É bom finalmente ver o Wave sendo usado para alguma coisa mais concreta e, por finalmente mostrar seu poder em conectar pessoas colaborando em tempo real.

O artigo, e o pdf para a wave estão aqui.

(Atualização: um bocado de gente comentou que isso não é novidade, que já tinham prendido gente antes por causa do Twitter e até por causa do telefone. Verdade. O que me chamou atenção na história não foi o fato de alguém ter sido preso por causa do Wave, mas pela rapidez com que centenas de pessoas foram mobilizadas em pouco tempo e como a colaboração em tempo real permitiu visualizar toda a informação de uma forma organizada que não teria sido possível em nenhuma outra plataforma que conheço.)

Futuro, sim, mas da fotografia?

Fim de período na faculdade é sempre a mesma coisa: tempo pra nada. E mesmo que exista algum tempo, a noção de que ele não deveria existir ainda prevalece(ou então o tempo existe e é gasto em outras atividades!) A questão é que sumi de novo. Tô quase no ponto de pegar um meme pra não deixar aqui tão abandonado, mas nem isso tenho visto.

Um post rápido aqui pra comentar uma notícia da semana passada, mas que só me chegou hoje: vi no let’s blogar que a revista Outside resolveu usar uma espécie de “foto animada” numa edição. A idéia é como as fotos dos jornais em Harry Potter, que nada mais são que vídeos em loop. E é aqui que entra minha implicância.

O tempo todo é feito um alarde sobre o futuro da fotografia e como isso será usado em publicações impressas. É realmente inovador e abre um leque imenso de aplicações sobre as quais temos só a mais rasa ideia, exceto que isso não é fotografia e essas publicações não são impressas. Como comentei acima, é o loop de um vídeo — v-í-d-e-o. E isso não está no papel, mas em uma tela de OLED ou a tecnologia que estiver disponível, mas que é a mesma coisa que meu celular mostrando uma página da internet, só que num formato mais “clássico”.

Eu não tenho a menor dúvida de que estamos vivendo uma época muito acelerada mas, por favor, vamos dividir bem o que nos é mostrado como inovação e o que é um novo uso.

Momento e percepção

Numa matéria da Wired de outubro, é relatado um estudo da Universidade de Purdue relacionando nosso estado de espírito e a percepção de mundo que ele acarreta.

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Basicamente, 23 participantes, não-jogadores de futebol americano, chutaram 10 bolas e depois desenharam a trave que serviu de alvo. O interessante é que a maneira como eles retrataram a trave esteve diretamente ligada à sua perfomance: aqueles que acertaram mais retraram a trave como maior do que o normal, enquanto os que erraram, a retrataram como menor. Pior que isso, como eles erraram também influenciava, pois os que chutaram para o lado desenharam uma trave mais estreita, enquanto os que chutaram baixo registraram uma mais alta. Esses resultados são condizentes com a sensação de confiança de jogadores que “entram no jogo” e cada acerto faz o próximo parecer mais fácil.

Isso tem dois desdobramentos importantes. A pesquisa reforça os estudos de Mihaly Csikszentmihalyi, apresentados em 2008 na TED como as vantagens de se manter um ritmo de trabalho e como o corpo e a mente se beneficiam disso, nos tornando mais felizes.

Além disso, esses novos resultados colocam em cheque a maneira como a percepção vinha sendo estudada. Sempre se pensou que os olhos captavam estímulos e os enviavam diretamente ao cerébro, mas essa pesquisa indica que há muito mais processamento antes de o sinal captado(objeto real) ser finalmente entendido(como o vemos).

Como se o alerta para um entendimento errado em estudos de percepção não fosse suficiente, a pesquisa será usada para tentar melhorar a performance de atletas através da alteração de sua percepção do ambiente, antes do jogo.

10/GUI

Conheci hoje o 10/GUI, projeto de R. Clayton Miller que propõe um novo modelo de interação com o computador através de uma superfície multi-toque e uma revisão na interface gráfica do computador.

No vídeo, ele apresenta a superfície multi-toque como um trackpad do tamanho da tela, mas que ocupa o espaço que hoje é do teclado, enquanto os dedos(todos os 10!) aparecem na tela, assim como o cursor do mouse. Ele acerta ao mostrar os problemas com as ideias de tablets, que forçam o usuário a olhar para ela num ângulo estranho além de as mãos sobre a tela tamparem a imagem e também cita o problema de ter um monitor como o de hoje, mas com sensores de toque, uma posição um tanto estranha para trabalho.

Depois do hardware, o vídeo apresenta a proposta de software. Uma área de trabalho como as atuais do Windows, mas que organizam as janelas numa nova forma: as janelas ficam alinhadas, todas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Elas se diferenciam pela barra de título, que fica na vertical, como se fosse uma aba, e por um recurso parecido com o Exposé, do MacOS X.

O pessoal do Vimeo adorou a proposta, e eu não nego que ela tem seus méritos, mas eu proporia algumas mudanças:

1. No dispositivo para toque, a ideia dos botões foi genial, mas eu os colocaria ao alcance dos indicadores ou polegares;

2. Alinhar as janelas na horizontal traz diversos problemas(como ficar inclinando a cabeça para ler o título da janela, a dificuldade de se navegar entre janelas quando muitas estão abertas e a necessidade de que todas elas tenham o mesmo tamanho). Os computadores estão migrando de organização de arquivos para busca e essa necessidade de rolagem para achar uma mera janela é um passo para trás. Eu sugeriria, no mínimo, manter uma janela em primeiro plano e deixar as demais permanentemente no estado do Exposé do Snow Leopard;

3. A quantidade de combinações de cliques, “pinches” e esticadas com 2, 3, 4 dedos é uma loucura! Se for pra manter essa quantidade de entradas, que elas sejam, no mínimo, personalizáveis;

4. Apesar de achar bem informativo a ideia de se ver o tempo todo quais as opções de cada menu(que ele mostra ao usar o botão esquerdo), a poluição visual é absurda. Mais simples seria um menu dropdown apenas do menu em foco, tornando o clique desnecessário para abrir o menu.

Encerrando, a proposta é válida e, principalmente, traz gente para discussão, como se pode ver no Vimeo.

A mãe da Polaroid

Take, Punch, Give

Take, Punch, Give

Criada pelo designer Matty Martin, a Punch Camera funciona como uma Polaroid, exceto que, em vez de imprimir uma foto no papel pelo processo convencional, a impressão é feita através de furos. Não achei muito útil e as razões dadas são horríveis(a Punch Camera evitaria transtornos como roubo de câmeras ou perda de cartões de memória), mas a ideia é bem criativa e daria pra se divertir um bocado.

Fonte: Design Atento

Digitalizando uma biblioteca

Acabei de ler no blog da Lígia Fascioni que uma das bibliotecas mais antigas de Boston vai digitalizar o arquivo e descartar os livros, para torná-la mais “apropriada” aos tempos atuais.

Cheia ou vazia?

Eu concordo que é diferente ler um livro físico e um livro digital, mas uma vantagem acabou deixada de fora no post: digitalizar os livros traz a vantagem de multiplicar muito a disponibilidade e facilidade de acesso. Enquanto, tratando-se de obras raras a biblioteca só dispõe de uma cópia física, ao digitalizar o acervo, qualquer um na biblioteca pode usar o volume. Se necessário, mais pessoas poderiam usar um livro digital em dia do que  um físico em um ano.

Por outro lado, digitalizar os livros pros usuários acessarem de dentro da biblioteca não é atual, é tão 90′s! Se é pra facilitar acesso, duas medidas seriam fundamentais: disponibilizar remotamente o acervo(ainda que mediante cadastro) e manter o acervo físico, seja na biblioteca ou doando a outras instituições. Eu ainda prefiro acreditar que “descartar” foi um erro de comunicação no meio do caminho.

Não é novidade pra ninguém que, no estado atual da tecnologia, versões digitais de livro não são lugar comum e não vão ser enquanto não houver uma revolução representativa como o mp3 foi(ou vem sendo?) para a música.

Se serve de consolo, fica aqui um link pra ajudar a decidir se é melhor uma biblioteca de computadores ou um ambiente  inspirador desses.

Se você se achava talentoso…

Kseniya Simonova é uma ucraniana de 24 anos, que ganhou o concurso Ukraine’s Got Talent. Ela começou a desenvolver sua técnica na areia da praia e um ano depois este vídeo foi feito.

A única coisa que eu posso falar é: façam um favor a vocês mesmos e não deixem de assistir.

‘Nuff said.