Numa matéria da Wired de outubro, é relatado um estudo da Universidade de Purdue relacionando nosso estado de espírito e a percepção de mundo que ele acarreta.

Basicamente, 23 participantes, não-jogadores de futebol americano, chutaram 10 bolas e depois desenharam a trave que serviu de alvo. O interessante é que a maneira como eles retrataram a trave esteve diretamente ligada à sua perfomance: aqueles que acertaram mais retraram a trave como maior do que o normal, enquanto os que erraram, a retrataram como menor. Pior que isso, como eles erraram também influenciava, pois os que chutaram para o lado desenharam uma trave mais estreita, enquanto os que chutaram baixo registraram uma mais alta. Esses resultados são condizentes com a sensação de confiança de jogadores que “entram no jogo” e cada acerto faz o próximo parecer mais fácil.
Isso tem dois desdobramentos importantes. A pesquisa reforça os estudos de Mihaly Csikszentmihalyi, apresentados em 2008 na TED como as vantagens de se manter um ritmo de trabalho e como o corpo e a mente se beneficiam disso, nos tornando mais felizes.
Além disso, esses novos resultados colocam em cheque a maneira como a percepção vinha sendo estudada. Sempre se pensou que os olhos captavam estímulos e os enviavam diretamente ao cerébro, mas essa pesquisa indica que há muito mais processamento antes de o sinal captado(objeto real) ser finalmente entendido(como o vemos).
Como se o alerta para um entendimento errado em estudos de percepção não fosse suficiente, a pesquisa será usada para tentar melhorar a performance de atletas através da alteração de sua percepção do ambiente, antes do jogo.







