Numa matéria da Wired de outubro, é relatado um estudo da Universidade de Purdue relacionando nosso estado de espírito e a percepção de mundo que ele acarreta.

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Basicamente, 23 participantes, não-jogadores de futebol americano, chutaram 10 bolas e depois desenharam a trave que serviu de alvo. O interessante é que a maneira como eles retrataram a trave esteve diretamente ligada à sua perfomance: aqueles que acertaram mais retraram a trave como maior do que o normal, enquanto os que erraram, a retrataram como menor. Pior que isso, como eles erraram também influenciava, pois os que chutaram para o lado desenharam uma trave mais estreita, enquanto os que chutaram baixo registraram uma mais alta. Esses resultados são condizentes com a sensação de confiança de jogadores que “entram no jogo” e cada acerto faz o próximo parecer mais fácil.

Isso tem dois desdobramentos importantes. A pesquisa reforça os estudos de Mihaly Csikszentmihalyi, apresentados em 2008 na TED como as vantagens de se manter um ritmo de trabalho e como o corpo e a mente se beneficiam disso, nos tornando mais felizes.

Além disso, esses novos resultados colocam em cheque a maneira como a percepção vinha sendo estudada. Sempre se pensou que os olhos captavam estímulos e os enviavam diretamente ao cerébro, mas essa pesquisa indica que há muito mais processamento antes de o sinal captado(objeto real) ser finalmente entendido(como o vemos).

Como se o alerta para um entendimento errado em estudos de percepção não fosse suficiente, a pesquisa será usada para tentar melhorar a performance de atletas através da alteração de sua percepção do ambiente, antes do jogo.

Conheci hoje o 10/GUI, projeto de R. Clayton Miller que propõe um novo modelo de interação com o computador através de uma superfície multi-toque e uma revisão na interface gráfica do computador.

No vídeo, ele apresenta a superfície multi-toque como um trackpad do tamanho da tela, mas que ocupa o espaço que hoje é do teclado, enquanto os dedos(todos os 10!) aparecem na tela, assim como o cursor do mouse. Ele acerta ao mostrar os problemas com as ideias de tablets, que forçam o usuário a olhar para ela num ângulo estranho além de as mãos sobre a tela tamparem a imagem e também cita o problema de ter um monitor como o de hoje, mas com sensores de toque, uma posição um tanto estranha para trabalho.

Depois do hardware, o vídeo apresenta a proposta de software. Uma área de trabalho como as atuais do Windows, mas que organizam as janelas numa nova forma: as janelas ficam alinhadas, todas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Elas se diferenciam pela barra de título, que fica na vertical, como se fosse uma aba, e por um recurso parecido com o Exposé, do MacOS X.

O pessoal do Vimeo adorou a proposta, e eu não nego que ela tem seus méritos, mas eu proporia algumas mudanças:

1. No dispositivo para toque, a ideia dos botões foi genial, mas eu os colocaria ao alcance dos indicadores ou polegares;

2. Alinhar as janelas na horizontal traz diversos problemas(como ficar inclinando a cabeça para ler o título da janela, a dificuldade de se navegar entre janelas quando muitas estão abertas e a necessidade de que todas elas tenham o mesmo tamanho). Os computadores estão migrando de organização de arquivos para busca e essa necessidade de rolagem para achar uma mera janela é um passo para trás. Eu sugeriria, no mínimo, manter uma janela em primeiro plano e deixar as demais permanentemente no estado do Exposé do Snow Leopard;

3. A quantidade de combinações de cliques, “pinches” e esticadas com 2, 3, 4 dedos é uma loucura! Se for pra manter essa quantidade de entradas, que elas sejam, no mínimo, personalizáveis;

4. Apesar de achar bem informativo a ideia de se ver o tempo todo quais as opções de cada menu(que ele mostra ao usar o botão esquerdo), a poluição visual é absurda. Mais simples seria um menu dropdown apenas do menu em foco, tornando o clique desnecessário para abrir o menu.

Encerrando, a proposta é válida e, principalmente, traz gente para discussão, como se pode ver no Vimeo.

Take, Punch, Give

Take, Punch, Give

Criada pelo designer Matty Martin, a Punch Camera funciona como uma Polaroid, exceto que, em vez de imprimir uma foto no papel pelo processo convencional, a impressão é feita através de furos. Não achei muito útil e as razões dadas são horríveis(a Punch Camera evitaria transtornos como roubo de câmeras ou perda de cartões de memória), mas a ideia é bem criativa e daria pra se divertir um bocado.

Fonte: Design Atento

Acabei de ler no blog da Lígia Fascioni que uma das bibliotecas mais antigas de Boston vai digitalizar o arquivo e descartar os livros, para torná-la mais “apropriada” aos tempos atuais.

Cheia ou vazia?

Eu concordo que é diferente ler um livro físico e um livro digital, mas uma vantagem acabou deixada de fora no post: digitalizar os livros traz a vantagem de multiplicar muito a disponibilidade e facilidade de acesso. Enquanto, tratando-se de obras raras a biblioteca só dispõe de uma cópia física, ao digitalizar o acervo, qualquer um na biblioteca pode usar o volume. Se necessário, mais pessoas poderiam usar um livro digital em dia do que  um físico em um ano.

Por outro lado, digitalizar os livros pros usuários acessarem de dentro da biblioteca não é atual, é tão 90’s! Se é pra facilitar acesso, duas medidas seriam fundamentais: disponibilizar remotamente o acervo(ainda que mediante cadastro) e manter o acervo físico, seja na biblioteca ou doando a outras instituições. Eu ainda prefiro acreditar que “descartar” foi um erro de comunicação no meio do caminho.

Não é novidade pra ninguém que, no estado atual da tecnologia, versões digitais de livro não são lugar comum e não vão ser enquanto não houver uma revolução representativa como o mp3 foi(ou vem sendo?) para a música.

Se serve de consolo, fica aqui um link pra ajudar a decidir se é melhor uma biblioteca de computadores ou um ambiente  inspirador desses.

Kseniya Simonova é uma ucraniana de 24 anos, que ganhou o concurso Ukraine’s Got Talent. Ela começou a desenvolver sua técnica na areia da praia e um ano depois este vídeo foi feito.

A única coisa que eu posso falar é: façam um favor a vocês mesmos e não deixem de assistir.

‘Nuff said.

Enquanto lia um post no Ipsis Litteris, mais uma vez tive contato com a longa briga entre o Bom e o popular. O Grijó discursa com propriedade sobre a presença de uma letra da Pitty no simulado de um curso pré-vestibular, questionando a razão de se incluir, numa prova de literatura, um texto desse valor literário(pouco ou nenhum, de acordo com ele).

Pitty, sinônimo de pena.

Pitty, sinônimo de pena.

Eu assino embaixo. É relevante discutir a função de uma prova e do que deve ser analisado nela, e na presença de tanto material de qualidade, apelar para algo cujo quase-único valor é ser familiar ao estudante, perdendo, assim, a oportunidade de apresentá-lo a obras mais elaboradas, é lamentável.

Agora, apesar de concordar, preciso fazer uma consideração que não vi nem no post quanto nos comentários: o fato de o bom e do aceitável mudarem. Grijó não vê valor numa letra de Renato Russo, mas os professores que hoje estão chegando na casa dos 30 anos cresceram ouvindo Legião Urbana e podem acabar por ter a percepção prejudicada. E, na medida em que estes professores fizerem uso de material mais popular, é inevitável que esse material venha a se tornar as novas referências para essas novas gerações.

Ainda sem entrar no mérito do que é melhor literatura, música, enfim, arte, cabe aqui um artigo publicado na revista Wired algumas semanas atrás. Em suma, o artigo aborda o movimento atual de abandono de certas características típicas da qualidade por outras que interessem mais ao usuário no balanço final, como é o caso de assistir a vídeos em baixa resolução no YouTube, pois isso é um preço justo a se pagar pelo enorme acervo e facilidade de acesso. Em determinado ponto do artigo, cita-se uma pesquisa realizada por Jonathan Berger, da Stanford University ao longo de vários anos: no início do semestre letivo, ele pedia aos alunos que ouvissem os mesmos trechos de determinadas músicas em diversos formatos, de baixa qualidade(como o mp3) até os de mais alta fidelidade e registrassem quais preferiam. O professor observou que, ao longo dos anos, mais e mais alunos preferiam mp3, mesmo sem saber, o que o levou a crer que a percepção de qualidade vem mudando sem que se perceba – e, por consequência, se possa evitar.

Não quero soar como Nostradamus, mas a verdade é que a qualidade do que consumimos tende a cair, não pela ausência de artistas competentes, mas pela facilidade com que os menos competentes chegam a nós. A juventude de hoje pode até não se esquecer de Chico Buarque, mas vai colocar o Fresno em pé de qualidade, por mais revolta que isso gere.

Entrada dos estúdios da Pixar

Entrada dos estúdios da Pixar


Aproveitando a longa espera no aeroporto, às vésperas do feriadão, finalmente consegui assistir a um documentário que figurava há tempo na minha lista: The Pixar Story.
O documentário é muito gostoso de se ver por qualquer um que já tenha se divertido com os clássicos do estúdio, que sempre chamaram a atenção não só pela inovação mas pelo carisma dos personagens(apesar de não chegarem ao patamar que a Disney atingiu antes de perder a linha).
Contando a história principalmente pelo ponto de vista da biografia de John Lasseter— atual diretor criativo do estúdio— são 84 minutos que passam depressa, relembrando a cada momento as animações que tornaram a Pixar grandiosa como é hoje. Recomendo :)

O TED é cheio de palestras memoráveis e, vez por outra, alguém fala alguma coisa que abre a cabeça de todo mundo. O mais novo membro nesse seleto clube é Dan Pink.
Sem entrar em detalhes pela conversa, que vale a pena assistir, Pink aborda casos críticos em que as empresas, por achismo, sensação e/ou análise de um evento passado, cometem erros já comprovados e previstos pela ciência. Principalmente quando o assunto é motivação de pessoal.
Extremamente relevante pros tempos que vivemos.

Eu sei da importância de manter-se atualizado, reciclando conhecimentos e nunca parando de estudar mas, é com um certo prazer que, pela penúltima vez eu volto às aulas.
Isso mesmo, hoje eu começo o 9º período da faculdade e, tirando os pepinos que eu tenho pra resolver agora (estágio, projeto de graduação, professores malucos e outros), é uma tranquilidade enorme e eu tô bem satisfeito, dentro do possível.
Mas esse papo é só pra trazer uma animação que vi semana passada e guardei exatamente pra hoje, por retratar tão bem minha vida de estudante. E dando o crédito, vi no Smelly Cat, que visito sempre!

Eu tenho um primo que mexe com animação. Ele começou com o hobby de brincar com edição de imagens, partiu pra vídeo e depois começou a criar animações para peças publicitárias. Como eu adoro animações, ele sempre vem me chamar pra ajudar a fazer um curta mas, quando eu pergunto qual a história, a resposta é sempre a mesma:
“Eu não tenho história ainda, mas vai ser alguma coisa que use uns efeitos novos que eu aprendi a fazer…”
Eu já cansei de dar tapa no pescoço dele por conta disso, porque o que ele quer fazer é propaganda do software, não contar uma história. E é isso que me traz ao assunto de hoje.
Eu não sou “o” entendido em compartilhar idéias: ainda estou trabalhando em falar mais devagar e é normal eu explicar idéias simples e fazer elas parecerem complicadas ou idiotas(às vezes elas são, ok…), mas uma coisa eu sempre repito: contar história tem que atingir a imaginação. Se a cabeça da pessoa para quem você fala não se interessar pela história, não adianta ter um vídeo cheio de efeitos especiais, ou uma animação primorosa, ou uma trilha sonora inesquecível. Cada uma desses itens pode roubar a cena por si só, mas aí o que vai fazer parte da memória do seu público é o que ele viu ou ouviu, não a história contada. Agora, quando a atenção é conquistada logo no início, chegar ao fim da história é uma delícia e pode ter certeza de que a lembrança dela vai ser muito mais marcante.
Exemplo disso, são os dois vídeos abaixo:
The PEN Story é um vídeo da Olympus que usa, claramente, a idéia deste outro vídeo interessantíssimo. A história contada é simples, mas em vez de ofuscada, é muito bem acompanhada pela música – além de ser divertido de assistir, como praticamente todo stop motion.

Este segundo vídeo é parte da série Tales Of Mere Existence, criada e produzida por Lev Yilmas. Uma câmera embaixo da mesa captura os desenhos como eles são feitos. O desenho é o mais simples possível, a voz do narrador é meio chata, não existe nem cor nem música. Mas eu desafio (que consegue acompanhar o vídeo sem as legendas) a não correr pra ver outros episódios. O humor nas idéias, aliado à representação simples mas precisa no desenho fazem cada vídeo passar incrivelmente rápidos. E não foram poucas as vezes em que começar a ver um desses vídeos fez minha produtividade cair a zero rapidinho.

Se alguém tiver outro exemplo, deixa o link nos comentários porque é sempre bom ver coisa nova :)

É isso mesmo. Demorou, mas finalmente tô de volta. E nem é no blog, mas na minha vida de estudante, que ultimamente(e digo isso em anos) consistia mais em esperar o período acabar do que realmente arregaçar as mangas e ir produzir alguma coisa. Parte disso era o estresse residual duma época sinistra aí, parte era a quantidade ínfima de matéria que eu conseguia pegar na faculdade e, principalmente, parte disso era a preguiça que vem nesses casos e que eu recebi de braços abertos.
Pois bem, meu domingo hoje consistiu em trabalho. Virei a madrugada mexendo numa tradução, passei a tarde fazendo um projeto e acabando de postar isso tem um questionário enorme pra responder. E amanhã ainda tem uma prova e terminar um trabalho pra entregar na terça, quando tem mais duas provas.
Ok, eu sei que ficou um post umbiguista, but it feels good to be back ;)

Faltou colocar o computador na foto, mas paciência

Faltou colocar o computador na foto, mas paciência

Então, cá estou eu mais uma vez. Eu achei que da vez passada eu ia conseguir não largar o blog às moscas mas acho que 6 meses provam que me enganei.

Pra início de conversa, eu não quis criar outro blog, mas isso aqui tá começando de novo, então os posts antigos foram todos embora. Pro saco. Tchau. Não acho que os milhares de leitores que vieram aqui religiosamente por meses à espera de um sinal de vida qualquer vão se importar, que dirá quem nunca vem, né? (A esses milhares de leitores, é por vocês que eu estou aqui!)

Esse post não tem nenhum propósito além de dar uma organizada na casa e começar a escrever de novo, então ele fica por aqui mesm…