Arquivo para Outubro, 2009

19
Out
09

Momento e percepção

Numa matéria da Wired de outubro, é relatado um estudo da Universidade de Purdue relacionando nosso estado de espírito e a percepção de mundo que ele acarreta.

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Basicamente, 23 participantes, não-jogadores de futebol americano, chutaram 10 bolas e depois desenharam a trave que serviu de alvo. O interessante é que a maneira como eles retrataram a trave esteve diretamente ligada à sua perfomance: aqueles que acertaram mais retraram a trave como maior do que o normal, enquanto os que erraram, a retrataram como menor. Pior que isso, como eles erraram também influenciava, pois os que chutaram para o lado desenharam uma trave mais estreita, enquanto os que chutaram baixo registraram uma mais alta. Esses resultados são condizentes com a sensação de confiança de jogadores que “entram no jogo” e cada acerto faz o próximo parecer mais fácil.

Isso tem dois desdobramentos importantes. A pesquisa reforça os estudos de Mihaly Csikszentmihalyi, apresentados em 2008 na TED como as vantagens de se manter um ritmo de trabalho e como o corpo e a mente se beneficiam disso, nos tornando mais felizes.

Além disso, esses novos resultados colocam em cheque a maneira como a percepção vinha sendo estudada. Sempre se pensou que os olhos captavam estímulos e os enviavam diretamente ao cerébro, mas essa pesquisa indica que há muito mais processamento antes de o sinal captado(objeto real) ser finalmente entendido(como o vemos).

Como se o alerta para um entendimento errado em estudos de percepção não fosse suficiente, a pesquisa será usada para tentar melhorar a performance de atletas através da alteração de sua percepção do ambiente, antes do jogo.

16
Out
09

10/GUI

Conheci hoje o 10/GUI, projeto de R. Clayton Miller que propõe um novo modelo de interação com o computador através de uma superfície multi-toque e uma revisão na interface gráfica do computador.

No vídeo, ele apresenta a superfície multi-toque como um trackpad do tamanho da tela, mas que ocupa o espaço que hoje é do teclado, enquanto os dedos(todos os 10!) aparecem na tela, assim como o cursor do mouse. Ele acerta ao mostrar os problemas com as ideias de tablets, que forçam o usuário a olhar para ela num ângulo estranho além de as mãos sobre a tela tamparem a imagem e também cita o problema de ter um monitor como o de hoje, mas com sensores de toque, uma posição um tanto estranha para trabalho.

Depois do hardware, o vídeo apresenta a proposta de software. Uma área de trabalho como as atuais do Windows, mas que organizam as janelas numa nova forma: as janelas ficam alinhadas, todas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Elas se diferenciam pela barra de título, que fica na vertical, como se fosse uma aba, e por um recurso parecido com o Exposé, do MacOS X.

O pessoal do Vimeo adorou a proposta, e eu não nego que ela tem seus méritos, mas eu proporia algumas mudanças:

1. No dispositivo para toque, a ideia dos botões foi genial, mas eu os colocaria ao alcance dos indicadores ou polegares;

2. Alinhar as janelas na horizontal traz diversos problemas(como ficar inclinando a cabeça para ler o título da janela, a dificuldade de se navegar entre janelas quando muitas estão abertas e a necessidade de que todas elas tenham o mesmo tamanho). Os computadores estão migrando de organização de arquivos para busca e essa necessidade de rolagem para achar uma mera janela é um passo para trás. Eu sugeriria, no mínimo, manter uma janela em primeiro plano e deixar as demais permanentemente no estado do Exposé do Snow Leopard;

3. A quantidade de combinações de cliques, “pinches” e esticadas com 2, 3, 4 dedos é uma loucura! Se for pra manter essa quantidade de entradas, que elas sejam, no mínimo, personalizáveis;

4. Apesar de achar bem informativo a ideia de se ver o tempo todo quais as opções de cada menu(que ele mostra ao usar o botão esquerdo), a poluição visual é absurda. Mais simples seria um menu dropdown apenas do menu em foco, tornando o clique desnecessário para abrir o menu.

Encerrando, a proposta é válida e, principalmente, traz gente para discussão, como se pode ver no Vimeo.

06
Out
09

A mãe da Polaroid

Take, Punch, Give

Take, Punch, Give

Criada pelo designer Matty Martin, a Punch Camera funciona como uma Polaroid, exceto que, em vez de imprimir uma foto no papel pelo processo convencional, a impressão é feita através de furos. Não achei muito útil e as razões dadas são horríveis(a Punch Camera evitaria transtornos como roubo de câmeras ou perda de cartões de memória), mas a ideia é bem criativa e daria pra se divertir um bocado.

Fonte: Design Atento

02
Out
09

Digitalizando uma biblioteca

Acabei de ler no blog da Lígia Fascioni que uma das bibliotecas mais antigas de Boston vai digitalizar o arquivo e descartar os livros, para torná-la mais “apropriada” aos tempos atuais.

Cheia ou vazia?

Eu concordo que é diferente ler um livro físico e um livro digital, mas uma vantagem acabou deixada de fora no post: digitalizar os livros traz a vantagem de multiplicar muito a disponibilidade e facilidade de acesso. Enquanto, tratando-se de obras raras a biblioteca só dispõe de uma cópia física, ao digitalizar o acervo, qualquer um na biblioteca pode usar o volume. Se necessário, mais pessoas poderiam usar um livro digital em dia do que  um físico em um ano.

Por outro lado, digitalizar os livros pros usuários acessarem de dentro da biblioteca não é atual, é tão 90’s! Se é pra facilitar acesso, duas medidas seriam fundamentais: disponibilizar remotamente o acervo(ainda que mediante cadastro) e manter o acervo físico, seja na biblioteca ou doando a outras instituições. Eu ainda prefiro acreditar que “descartar” foi um erro de comunicação no meio do caminho.

Não é novidade pra ninguém que, no estado atual da tecnologia, versões digitais de livro não são lugar comum e não vão ser enquanto não houver uma revolução representativa como o mp3 foi(ou vem sendo?) para a música.

Se serve de consolo, fica aqui um link pra ajudar a decidir se é melhor uma biblioteca de computadores ou um ambiente  inspirador desses.




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