E a leitura?

Ainda no hype do iPad, impossível de fugir na última semana se você acompanha qualquer coisa na internet, muita gente comenta como existe potencial para se revolucionar a maneira como livros são lidos, possibilitando a inserção de gráficos dinâmicos, vídeos e pesquisas de opinião no meio de textos. Isso já era comentado antes mesmo do Kindle 2, mas minha crítica é outra.

A leitura sempre foi vendida como um exercício, como um esforço mental que traz como resultado um melhores condições de abstração, raciocínio, imaginação, criatividade. Acontece que a aparição desses extras no meio do texto servirá não só para complementar a informação, mas para também facilitar seu entendimento. Um exemplo é um gráfico difícil de interpretar: muito mais cômodo recebê-lo interpretado através de uma animação do que interpretar por si só. E essa facilidade pode ser extrapolada para qualquer outro tipo de informação.

Sem dúvida, maior facilidade no acesso à informação implica maior difusão de informação(que, não custa frisar, é diferente de conhecimento). Além disso, o condicionamento que antes era fruto do exercício e, por isso tinha a conotação de capacidade, agora passa a ter sentido de conformismo, já que a mesma interpretação será oferecida(e preguiçosamente aceita) por muito mais pessoas.

Não adianta tentar lutar contra essa mudança, o modelo de publicação impressa não tem condições de reverter esse cenário. A necessidade é de se preparar, pois a distância entre a massa e os que criticam só vai aumentar.

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