Bibliotecária 2.0

Você está lendo Nick Hornby e a cada página ele cita pelo menos uma música que você não conhece. Ou então você lê A volta ao mundo em 80 dias e imagina os lugares por onde Phileas Fogg passa. Ou, ainda, o livro que você está lendo é tão cheio de referências e livros e pessoas que metade do tempo você está pesquisando sobre ele. Todo mundo já deve ter passado por isso: ler um livro é uma coisa, mas aprofundar-se sobre ele é uma experiência completamente diferente.
Essa era a minha vida, vasculhando a Wikipedia e outros redutos mais obscuros da internet para poder entender melhor uma passagem, ouvir uma música relevante para a trama ou procurar imagens sobre os locais visitados pelos personagens. Até hoje, quando conheci o Small Demons.
Uma comunidade trabalhando para documentar referências sobre livros: as músicas, os locais, as imagens, pessoas e até mesmo outros livros citados no que você está lendo. Tudo isso num repositório organizado, que inclui até trechos do livro relacionados a cada item e outras obras que compartilham dessas referências. Fantástico.
Ainda está engatinhando, mas tem potencial para crescer, principalmente o envolvimento é característico do público que mais se interessará pelo projeto. Eu usei pouco do site– recebi meu convite hoje–, muitos escritores famosos ainda não tem obras relacionadas por lá e algumas funcionalidades não estão prontas, mas é um prazer relembrar as coisas que você descobriu enquanto lia.

Pajaros enojados

Angry Birds deixou há tempo de ser um sucesso da App Store para se tornar um sucesso pop. Além dos jogos, já foram lançados versões de pelúcia, chinelos, jogo de tabuleiro, capas para iPhone e a lista continua.

Agora, se tem uma coisa que marca a passagem de fenômeno na internet para fenômeno “de verdade”, é a hora em que as pessoas começam a fazer adaptações e referências no mundo real (e usar o tema para como alavanca) e que mesmo quem não sabe do que se trata passa a se interessar pela simples inclusão. Foi justamente isso que a T-Mobile fez em Barcelona, montando um stand interativo ENORME, impossível de ser ignorado não só pelo quanto é legal, mas pela multidão que se formou para se divertir junto.

A década vista por crianças de 9 anos


Eu sempre gosto de ver como alguém fora dum ambiente o percebe e este vídeo é exatamente sobre isso: crianças nascidas no ano 2000 comentando eventos do final da última década.

Sem contar tudo, é muito interessante ver a reação deles ao ouvir o som da internet discada conectando e como eles se referem à cantora de “Baby, one more time” — isto é, aquele que sabia de quem se tratava.

O mais curioso de tudo é não só o saudosismo que o vídeo traz, como a visão despretensiosa de tudo. Meus avós sem dúvida teriam respostas tão desinformadas quanto das crianças, mas já carregadas de pré-concepções.

O vídeo tem apenas 6 minutos e vale muito a pena assistir, nem que seja só pela diversão.

E finalmente um uso útil pro Google Wave

Desde o lançamento do Google Wave, as pessoas entravam, viam que era legal, percebiam que não tinham visto utilidade e o abandonavam. Das waves em que participo, diversas com mais de 100 participantes já ficaram mais de uma semana sem atualizar nada. Eu já estava dando o Wave como natimorto.

E aí veio o Seattle Times, que com todo o preconceito de velha mídia, conseguiu ajudar a polícia a encontrar um criminoso por lá(e pelo Twitter, claro).

Após ser registrado o ataque a 4 policiais, o jornal criou uma wave pública e usou o Twitter para trazer pessoas para colaborar. A wave chegou a atingir quase 500 pessoas, comentando, ajudando a divulgar e até usando um mapa para “seguir” o procurado, que acabou sendo preso.

É bom finalmente ver o Wave sendo usado para alguma coisa mais concreta e, por finalmente mostrar seu poder em conectar pessoas colaborando em tempo real.

O artigo, e o pdf para a wave estão aqui.

(Atualização: um bocado de gente comentou que isso não é novidade, que já tinham prendido gente antes por causa do Twitter e até por causa do telefone. Verdade. O que me chamou atenção na história não foi o fato de alguém ter sido preso por causa do Wave, mas pela rapidez com que centenas de pessoas foram mobilizadas em pouco tempo e como a colaboração em tempo real permitiu visualizar toda a informação de uma forma organizada que não teria sido possível em nenhuma outra plataforma que conheço.)

The Pixar Story

Entrada dos estúdios da Pixar

Entrada dos estúdios da Pixar


Aproveitando a longa espera no aeroporto, às vésperas do feriadão, finalmente consegui assistir a um documentário que figurava há tempo na minha lista: The Pixar Story.
O documentário é muito gostoso de se ver por qualquer um que já tenha se divertido com os clássicos do estúdio, que sempre chamaram a atenção não só pela inovação mas pelo carisma dos personagens(apesar de não chegarem ao patamar que a Disney atingiu antes de perder a linha).
Contando a história principalmente pelo ponto de vista da biografia de John Lasseter— atual diretor criativo do estúdio— são 84 minutos que passam depressa, relembrando a cada momento as animações que tornaram a Pixar grandiosa como é hoje. Recomendo 🙂

Dan Pink, de novo

O TED é cheio de palestras memoráveis e, vez por outra, alguém fala alguma coisa que abre a cabeça de todo mundo. O mais novo membro nesse seleto clube é Dan Pink.
Sem entrar em detalhes pela conversa, que vale a pena assistir, Pink aborda casos críticos em que as empresas, por achismo, sensação e/ou análise de um evento passado, cometem erros já comprovados e previstos pela ciência. Principalmente quando o assunto é motivação de pessoal.
Extremamente relevante pros tempos que vivemos.