Lições de vida (para tecnófilos)

“If you are in school today the technologies you will use as an adult tomorrow have not been invented yet. Therefore, the life skill you need most is not the mastery of specific technologies, but mastery of the technium as a whole — how technology in general works. I like to think of this ability to deal with any type of new technology as techno-literacy” (Via The Technium)

Quem tem contato com tecnologia já percebeu que ela evolui cada vez mais rapidamente e tem se tornado cada vez mais difícil acompanhar cada novo serviço, plataforma, rede social, aparelho… Para fazer bom uso dessa evolução, o essencial é encontrar a medida certa entre acompanhar as novidades (para não deixar oportunidades passarem) e ignorar as novidades (afim de ter contato com o que já existe). O Technium publicou um artigo sugerindo habilidades que nós, usuários, precisamos desenvolver para encontrar essa medida certa e vale muito a pena ler.

Um outro lado disso é que, sabendo como um usuário pode tirar mais proveito da tecnologia, quem faz essa tecnologia pode destacar-se se souber se adaptar a esse usuário. Pensando nisso, eu peguei algumas das habilidades do post original e, do alto da minha capacidade de achar, sugeri como um produto/serviço pode aplicar isso para ter mais sucesso:

Aprender uma nova ferramenta freqüentemente implica desaprender uma antiga

Eu não diria desaprender, mas é preciso saber que toda ferramenta tem sua própria maneira mais eficiente de ser aplicada. Você não pode esperar que todo mundo que usa email siga os mesmos costumes de quando usavam cartas, mas também não pode usar cartas esperando que sigam-se os costumes de email.

Tire períodos sabáticos

As ferramentas precisam aprender que algumas pessoas vão usá-las 24h por dia, outras só aos finais de semana e outras quase nunca, e não se pode passar para o usuário a responsabilidade de “entrar no pique”. Um exemplo é a Priority Inbox do GMail, que, idealmente, consegue separar o joio do trigo na correspondência, quebrando a organização por ordem de chegada por uma de importância (imagine a diferença que isso deve fazer depois de uma semana sem olhar seus emails).

Seja fácil de ser trocado

Ninguém quer ser substituído, mas às vezes é a própria dificuldade em mudar de ideia depois que desencoraja que um usuário teste um produto. Ajude o usuário a passar a usar o seu produto, mas também ajude-o a parar de usar o seu produto, se for o caso. O oposto disso é, por exemplo, e quando você quer migrar de uma rede social para outra, mas suas conexões não o seguem e acabam tornando-se um obstáculo à migração.

Qualidade nem sempre é relacionada ao preço

Na verdade, qualidade é uma questão de valor, e valor é decidido pelo consumidor. Foco em qualidade, em apresentação, em atendimento, mas que o consumidor não percebe é difícil de ser cobrado no preço.

Entender como uma tecnologia funciona não é necessário para usá-la bem

Aqui a Apple vem à mente com sua insistência em esconder o sistema de arquivos no iOS. Foque em ajudar o usuário com soluções, não com possibilidades de ferramentas (eu só preciso ver as fotos no meu celular quando quero fazer alguma coisa com elas, o resto do tempo eu as quero fora da minha frente).

Os riscos de uma nova tecnologia devem ser comparados aos riscos da tecnologia antiga, ou nenhuma tecnologia

Entenda que a questão para o consumidor não é o seu produto ou o do seu concorrente, já que não consumir também pode ser uma opção. Na verdade, são duas vendas que precisam ser feitas: a venda da problema e a venda da sua solução.

Ninguém sabe para quê uma nova invenção realmente vai ser boa. Para avaliar, não pense; tente

Não puna o usuário por tentar. Encoraje seu acerto, mas também encoraje seus erros (mas certifiquem-se que o usuário vai aprender com eles e não será punido).

Para a lista completa, do ponto de vista do usuário, não deixe de ler o texto original.

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10/GUI

Conheci hoje o 10/GUI, projeto de R. Clayton Miller que propõe um novo modelo de interação com o computador através de uma superfície multi-toque e uma revisão na interface gráfica do computador.

No vídeo, ele apresenta a superfície multi-toque como um trackpad do tamanho da tela, mas que ocupa o espaço que hoje é do teclado, enquanto os dedos(todos os 10!) aparecem na tela, assim como o cursor do mouse. Ele acerta ao mostrar os problemas com as ideias de tablets, que forçam o usuário a olhar para ela num ângulo estranho além de as mãos sobre a tela tamparem a imagem e também cita o problema de ter um monitor como o de hoje, mas com sensores de toque, uma posição um tanto estranha para trabalho.

Depois do hardware, o vídeo apresenta a proposta de software. Uma área de trabalho como as atuais do Windows, mas que organizam as janelas numa nova forma: as janelas ficam alinhadas, todas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Elas se diferenciam pela barra de título, que fica na vertical, como se fosse uma aba, e por um recurso parecido com o Exposé, do MacOS X.

O pessoal do Vimeo adorou a proposta, e eu não nego que ela tem seus méritos, mas eu proporia algumas mudanças:

1. No dispositivo para toque, a ideia dos botões foi genial, mas eu os colocaria ao alcance dos indicadores ou polegares;

2. Alinhar as janelas na horizontal traz diversos problemas(como ficar inclinando a cabeça para ler o título da janela, a dificuldade de se navegar entre janelas quando muitas estão abertas e a necessidade de que todas elas tenham o mesmo tamanho). Os computadores estão migrando de organização de arquivos para busca e essa necessidade de rolagem para achar uma mera janela é um passo para trás. Eu sugeriria, no mínimo, manter uma janela em primeiro plano e deixar as demais permanentemente no estado do Exposé do Snow Leopard;

3. A quantidade de combinações de cliques, “pinches” e esticadas com 2, 3, 4 dedos é uma loucura! Se for pra manter essa quantidade de entradas, que elas sejam, no mínimo, personalizáveis;

4. Apesar de achar bem informativo a ideia de se ver o tempo todo quais as opções de cada menu(que ele mostra ao usar o botão esquerdo), a poluição visual é absurda. Mais simples seria um menu dropdown apenas do menu em foco, tornando o clique desnecessário para abrir o menu.

Encerrando, a proposta é válida e, principalmente, traz gente para discussão, como se pode ver no Vimeo.

A mãe da Polaroid

Take, Punch, Give

Take, Punch, Give

Criada pelo designer Matty Martin, a Punch Camera funciona como uma Polaroid, exceto que, em vez de imprimir uma foto no papel pelo processo convencional, a impressão é feita através de furos. Não achei muito útil e as razões dadas são horríveis(a Punch Camera evitaria transtornos como roubo de câmeras ou perda de cartões de memória), mas a ideia é bem criativa e daria pra se divertir um bocado.

Fonte: Design Atento