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A big piece of the story we tell ourselves about who we are, is that we are willing to invent. We are willing to think long-term. We start with the customer and work backwards. And, very importantly, we are willing to be misunderstood for long periods of time. (Via GeekWire)

Em uma reunião de acionistas da Amazon, o sucesso atual da empresa estava sendo associado à uma abordagem conservadora de riscos. Um acionista foi além, e perguntou a Jeff Bezos, CEO da empresa, onde estão as falhas se a empresa se diz pautada em inovação. Ótima pergunta, já que é esperado que algumas ideias não se tornem grandes negócios— mas melhor foi a resposta de Bezos, que não só explicou como a empresa pensa, mas também deu lições valiosas.

Segundo ele, 90% das inovações na Amazon são melhorias marginais, incrementais e, portanto, trazendo menos risco ao negócio da empresa. Isso significa que não só os sucessos facilmente passam despercebidos, mas também as falhas. O princípio de Pareto já prevê 20% das inovações vão trazer 80% dos resultados, mas isso não quer dizer que os outros 80% das inovações podem ser ignorados. Ele também diz que eles são teimosos com sua visão, não permitindo que a flexibilidade para aceitar mudanças nos detalhes comprometam o resultado desejado.

Entretanto, a lição de ouro nessa conversa é a afirmação de que a Amazon está disposta a ser mal-entendida por muito tempo. Nem sempre os objetivos de uma decisão são claros para todos desde o início e é preciso apostar no sucesso da ideia (já vi propostas morrerem porque cobranças de curto prazo sobre resultados de longo prazo minaram a credibilidade do projeto). A maturidade na gestão de uma empresa está justamente nisso: saber reconhecer quais iniciativas valerão a pena (mesmo que demore e o valor não seja imediatamente percebido) e ter capacidade de acreditar e manter essa postura mesmo quando as pressões por resultados mais rápidos surgir.

É como uma borboleta saindo do casulo: o casulo deve ser preservado e não adianta forçar para que ela saia antes do tempo; ela não está pronta. Mas, num ambiente de recursos limitados, também é fundamental saber de quais casulos sairão borboletas e de quais não sairá nada.

New Butterfly

O que a nuvem realmente é

The idea is this: Your data is the computer.

This is the new world that Apple is creating. Where your data resides, the device you use to access it, how it is saved, where it is saved, how to manipulate it, how to back it up, how to recover if you make changes to it that you did not intend, all will be things you don’t have to think about.

Your data will be available to you on any device you own. It will be left exactly as you last left it. You can open it in any application that it is able to open it. Should your computer crash, do not fear, your data is safe. And when you get a new machine, simply log into it and all of your data will be there in short order. Buy a new Mac, a new iPhone, and new iPad, simply log in and the data will be there too. (Via Minimal Mac)

Finalmente alguém olhou para a WWDC  de 2011 não como o amontoado de novidades (que me deixaram extremamente empolgado e esperando os próximos meses como louco) mas como o que ela realmente foi: o momento em que a Apple costurou os espaços entre os nossos aparelhos e iniciou a mudança de perspectiva que vamos começar a ver em breve. Estamos no futuro.

Evernote Peek

“Talento é acertar o alvo que ninguém acertou. Gênio é acertar o alvo que ninguém viu”

Não lembro quem cunhou essa frase, mas pensei imediatamente nela quando vi o novo lançamento do Evernote.

O Evernote é um excelente programa, o iPad é um excelente produto e a Smart Cover é a capa mais legal que existe, mas ninguém viu o Evernote Peek chegando e não tem como não achar genial essa interação entre hardware e software.

Flash cards não são muito comuns aqui no Brasil, mas são uma ferramenta de estudo que consiste em um cartão com uma pergunta sobre o material de um lado e uma resposta do outro. O Evernote Peek aplica essa ideia usando a possibilidade de abrir a Smart Cover em estágios para mostrar uma pergunta e, em seguida, a resposta e a possibilidade de travar o iPad 2 fechando a capa para trocar de pergunta. Ele é um aplicativo separado (gratuito) que transforma as notas em um caderno do Evernote em uma série de perguntas, onde o título da nota é uma pergunta e o corpo da nota é a resposta. Não dava para ser mais simples, mas só pelo vídeo já dá pra ver como seria divertidíssimo usar e não envolve nenhum aprendizado ou custo novo (assumindo que você já tenha um iPad 2 e uma Smart Cover!).

Olhar pra quê?

Semana passada eu comprei um iPod Shuffle e fiquei de cara com a facilidade em controlar todas as funções sem nenhum visual, só usando som e tato. Aí eu conheci o projeto de Dennis Hong e achei o controle do Shuffle tão moderno quanto uma TV preto-e-branco.

Durante uma palestra no TED, Hong comenta que participou de um projeto para criar um carro controlado somente por computador. Quando ficou sabendo do projeto para criar um carro para cegos, ele pensou que seria só colocar uma pessoa dentro do carro projetado et voilà. Ele não tinha ideia de onde estava se metendo.

Dirigir um carro no meio de outros carros, com diferentes obstáculos e atitudes inesperadas de outros motoristas exige um poder de análise que computadores ainda conseguem oferecer, e é aí que entra o desafio do carro para cegos: como fornecer ao motorista todas as informações necessárias para que ele dirija com segurança sem usar visuais? Juntando um projeto ao outro: computadores para fazer a leitura do ambiente, ser humano para interpretar tudo isso e dar ordens. Câmeras e sensores varrem o ambiente, traduzem as informações para um padrão inteligível ao motorista (sons, pressão), que toma decisões sobre o controle do carro e o sistema se retroalimenta. Fantástico.

Futuro, sim, mas da fotografia?

Fim de período na faculdade é sempre a mesma coisa: tempo pra nada. E mesmo que exista algum tempo, a noção de que ele não deveria existir ainda prevalece(ou então o tempo existe e é gasto em outras atividades!) A questão é que sumi de novo. Tô quase no ponto de pegar um meme pra não deixar aqui tão abandonado, mas nem isso tenho visto.

Um post rápido aqui pra comentar uma notícia da semana passada, mas que só me chegou hoje: vi no let’s blogar que a revista Outside resolveu usar uma espécie de “foto animada” numa edição. A idéia é como as fotos dos jornais em Harry Potter, que nada mais são que vídeos em loop. E é aqui que entra minha implicância.

O tempo todo é feito um alarde sobre o futuro da fotografia e como isso será usado em publicações impressas. É realmente inovador e abre um leque imenso de aplicações sobre as quais temos só a mais rasa ideia, exceto que isso não é fotografia e essas publicações não são impressas. Como comentei acima, é o loop de um vídeo — v-í-d-e-o. E isso não está no papel, mas em uma tela de OLED ou a tecnologia que estiver disponível, mas que é a mesma coisa que meu celular mostrando uma página da internet, só que num formato mais “clássico”.

Eu não tenho a menor dúvida de que estamos vivendo uma época muito acelerada mas, por favor, vamos dividir bem o que nos é mostrado como inovação e o que é um novo uso.

10/GUI

Conheci hoje o 10/GUI, projeto de R. Clayton Miller que propõe um novo modelo de interação com o computador através de uma superfície multi-toque e uma revisão na interface gráfica do computador.

No vídeo, ele apresenta a superfície multi-toque como um trackpad do tamanho da tela, mas que ocupa o espaço que hoje é do teclado, enquanto os dedos(todos os 10!) aparecem na tela, assim como o cursor do mouse. Ele acerta ao mostrar os problemas com as ideias de tablets, que forçam o usuário a olhar para ela num ângulo estranho além de as mãos sobre a tela tamparem a imagem e também cita o problema de ter um monitor como o de hoje, mas com sensores de toque, uma posição um tanto estranha para trabalho.

Depois do hardware, o vídeo apresenta a proposta de software. Uma área de trabalho como as atuais do Windows, mas que organizam as janelas numa nova forma: as janelas ficam alinhadas, todas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Elas se diferenciam pela barra de título, que fica na vertical, como se fosse uma aba, e por um recurso parecido com o Exposé, do MacOS X.

O pessoal do Vimeo adorou a proposta, e eu não nego que ela tem seus méritos, mas eu proporia algumas mudanças:

1. No dispositivo para toque, a ideia dos botões foi genial, mas eu os colocaria ao alcance dos indicadores ou polegares;

2. Alinhar as janelas na horizontal traz diversos problemas(como ficar inclinando a cabeça para ler o título da janela, a dificuldade de se navegar entre janelas quando muitas estão abertas e a necessidade de que todas elas tenham o mesmo tamanho). Os computadores estão migrando de organização de arquivos para busca e essa necessidade de rolagem para achar uma mera janela é um passo para trás. Eu sugeriria, no mínimo, manter uma janela em primeiro plano e deixar as demais permanentemente no estado do Exposé do Snow Leopard;

3. A quantidade de combinações de cliques, “pinches” e esticadas com 2, 3, 4 dedos é uma loucura! Se for pra manter essa quantidade de entradas, que elas sejam, no mínimo, personalizáveis;

4. Apesar de achar bem informativo a ideia de se ver o tempo todo quais as opções de cada menu(que ele mostra ao usar o botão esquerdo), a poluição visual é absurda. Mais simples seria um menu dropdown apenas do menu em foco, tornando o clique desnecessário para abrir o menu.

Encerrando, a proposta é válida e, principalmente, traz gente para discussão, como se pode ver no Vimeo.

A mãe da Polaroid

Take, Punch, Give

Take, Punch, Give

Criada pelo designer Matty Martin, a Punch Camera funciona como uma Polaroid, exceto que, em vez de imprimir uma foto no papel pelo processo convencional, a impressão é feita através de furos. Não achei muito útil e as razões dadas são horríveis(a Punch Camera evitaria transtornos como roubo de câmeras ou perda de cartões de memória), mas a ideia é bem criativa e daria pra se divertir um bocado.

Fonte: Design Atento