Pajaros enojados

Angry Birds deixou há tempo de ser um sucesso da App Store para se tornar um sucesso pop. Além dos jogos, já foram lançados versões de pelúcia, chinelos, jogo de tabuleiro, capas para iPhone e a lista continua.

Agora, se tem uma coisa que marca a passagem de fenômeno na internet para fenômeno “de verdade”, é a hora em que as pessoas começam a fazer adaptações e referências no mundo real (e usar o tema para como alavanca) e que mesmo quem não sabe do que se trata passa a se interessar pela simples inclusão. Foi justamente isso que a T-Mobile fez em Barcelona, montando um stand interativo ENORME, impossível de ser ignorado não só pelo quanto é legal, mas pela multidão que se formou para se divertir junto.

Anúncios

Evernote Peek

“Talento é acertar o alvo que ninguém acertou. Gênio é acertar o alvo que ninguém viu”

Não lembro quem cunhou essa frase, mas pensei imediatamente nela quando vi o novo lançamento do Evernote.

O Evernote é um excelente programa, o iPad é um excelente produto e a Smart Cover é a capa mais legal que existe, mas ninguém viu o Evernote Peek chegando e não tem como não achar genial essa interação entre hardware e software.

Flash cards não são muito comuns aqui no Brasil, mas são uma ferramenta de estudo que consiste em um cartão com uma pergunta sobre o material de um lado e uma resposta do outro. O Evernote Peek aplica essa ideia usando a possibilidade de abrir a Smart Cover em estágios para mostrar uma pergunta e, em seguida, a resposta e a possibilidade de travar o iPad 2 fechando a capa para trocar de pergunta. Ele é um aplicativo separado (gratuito) que transforma as notas em um caderno do Evernote em uma série de perguntas, onde o título da nota é uma pergunta e o corpo da nota é a resposta. Não dava para ser mais simples, mas só pelo vídeo já dá pra ver como seria divertidíssimo usar e não envolve nenhum aprendizado ou custo novo (assumindo que você já tenha um iPad 2 e uma Smart Cover!).

Olhar pra quê?

Semana passada eu comprei um iPod Shuffle e fiquei de cara com a facilidade em controlar todas as funções sem nenhum visual, só usando som e tato. Aí eu conheci o projeto de Dennis Hong e achei o controle do Shuffle tão moderno quanto uma TV preto-e-branco.

Durante uma palestra no TED, Hong comenta que participou de um projeto para criar um carro controlado somente por computador. Quando ficou sabendo do projeto para criar um carro para cegos, ele pensou que seria só colocar uma pessoa dentro do carro projetado et voilà. Ele não tinha ideia de onde estava se metendo.

Dirigir um carro no meio de outros carros, com diferentes obstáculos e atitudes inesperadas de outros motoristas exige um poder de análise que computadores ainda conseguem oferecer, e é aí que entra o desafio do carro para cegos: como fornecer ao motorista todas as informações necessárias para que ele dirija com segurança sem usar visuais? Juntando um projeto ao outro: computadores para fazer a leitura do ambiente, ser humano para interpretar tudo isso e dar ordens. Câmeras e sensores varrem o ambiente, traduzem as informações para um padrão inteligível ao motorista (sons, pressão), que toma decisões sobre o controle do carro e o sistema se retroalimenta. Fantástico.

Lições de vida (para tecnófilos)

“If you are in school today the technologies you will use as an adult tomorrow have not been invented yet. Therefore, the life skill you need most is not the mastery of specific technologies, but mastery of the technium as a whole — how technology in general works. I like to think of this ability to deal with any type of new technology as techno-literacy” (Via The Technium)

Quem tem contato com tecnologia já percebeu que ela evolui cada vez mais rapidamente e tem se tornado cada vez mais difícil acompanhar cada novo serviço, plataforma, rede social, aparelho… Para fazer bom uso dessa evolução, o essencial é encontrar a medida certa entre acompanhar as novidades (para não deixar oportunidades passarem) e ignorar as novidades (afim de ter contato com o que já existe). O Technium publicou um artigo sugerindo habilidades que nós, usuários, precisamos desenvolver para encontrar essa medida certa e vale muito a pena ler.

Um outro lado disso é que, sabendo como um usuário pode tirar mais proveito da tecnologia, quem faz essa tecnologia pode destacar-se se souber se adaptar a esse usuário. Pensando nisso, eu peguei algumas das habilidades do post original e, do alto da minha capacidade de achar, sugeri como um produto/serviço pode aplicar isso para ter mais sucesso:

Aprender uma nova ferramenta freqüentemente implica desaprender uma antiga

Eu não diria desaprender, mas é preciso saber que toda ferramenta tem sua própria maneira mais eficiente de ser aplicada. Você não pode esperar que todo mundo que usa email siga os mesmos costumes de quando usavam cartas, mas também não pode usar cartas esperando que sigam-se os costumes de email.

Tire períodos sabáticos

As ferramentas precisam aprender que algumas pessoas vão usá-las 24h por dia, outras só aos finais de semana e outras quase nunca, e não se pode passar para o usuário a responsabilidade de “entrar no pique”. Um exemplo é a Priority Inbox do GMail, que, idealmente, consegue separar o joio do trigo na correspondência, quebrando a organização por ordem de chegada por uma de importância (imagine a diferença que isso deve fazer depois de uma semana sem olhar seus emails).

Seja fácil de ser trocado

Ninguém quer ser substituído, mas às vezes é a própria dificuldade em mudar de ideia depois que desencoraja que um usuário teste um produto. Ajude o usuário a passar a usar o seu produto, mas também ajude-o a parar de usar o seu produto, se for o caso. O oposto disso é, por exemplo, e quando você quer migrar de uma rede social para outra, mas suas conexões não o seguem e acabam tornando-se um obstáculo à migração.

Qualidade nem sempre é relacionada ao preço

Na verdade, qualidade é uma questão de valor, e valor é decidido pelo consumidor. Foco em qualidade, em apresentação, em atendimento, mas que o consumidor não percebe é difícil de ser cobrado no preço.

Entender como uma tecnologia funciona não é necessário para usá-la bem

Aqui a Apple vem à mente com sua insistência em esconder o sistema de arquivos no iOS. Foque em ajudar o usuário com soluções, não com possibilidades de ferramentas (eu só preciso ver as fotos no meu celular quando quero fazer alguma coisa com elas, o resto do tempo eu as quero fora da minha frente).

Os riscos de uma nova tecnologia devem ser comparados aos riscos da tecnologia antiga, ou nenhuma tecnologia

Entenda que a questão para o consumidor não é o seu produto ou o do seu concorrente, já que não consumir também pode ser uma opção. Na verdade, são duas vendas que precisam ser feitas: a venda da problema e a venda da sua solução.

Ninguém sabe para quê uma nova invenção realmente vai ser boa. Para avaliar, não pense; tente

Não puna o usuário por tentar. Encoraje seu acerto, mas também encoraje seus erros (mas certifiquem-se que o usuário vai aprender com eles e não será punido).

Para a lista completa, do ponto de vista do usuário, não deixe de ler o texto original.

There is no try

Distractions have never prevented a Writing Writer Who Writes from writing; distractions are an excuse proffered by Non-Writing Non-Writers Who are Not-Writing for why they are not writing. In my humble opinion. (via Merlin Mann)

A razão de eu ter decidido voltar a escrever aqui, mesmo sem ter a qualidade que eu queria. Como Yoda mesmo disse, não existe tentar, só existe fazer. E isso é independente do ambiente ou das suas ferramentas.

Ou você faz, ou você não faz.

20110531-025141.jpg

O novo sedentário

We are no longer hunter-gatherers of information. In the 21st century, we’ve managed to replace the little bits physical activity left in our lives with sitting.

We’ve become sedentary all over again—and on a scale that would have been unimaginable to anyone even twenty years ago. (via Practically Efficient)

Bom post comparando a transição da cultura de caçadores para agricultores com a transição atual: deixarmos de buscar informação porque agora ela vem até nós. O autor aborda dois pontos principais: esta mudança não é saudável (física e metalmente) e a curadoria programada pode trazer o efeito contrário— e em vez de mais informação, nos tornar alheios ao que acontece fora da nossa bolha de interesses. Vale a lida.

Ele também ilustra o ponto positivo da primeira mudança, já que só quando não era mais necessário todo homem saber caçar que os especialistas (carpinteiro, ferreiro, artesão) puderam aparecer. Isso provavelmente acontecerá novamente e, assim que a informação estiver disponível em volumes nunca vistos, uma nova classe de “interpretadores” vai surgir (se já não está surgindo).

Um ponto que ele deixa de notar é que, apesar dos problemas trazidos pelo sedentarismo, os benefícios foram muito maiores e trouxeram a humanidade até aqui— e só é possível imaginar o tamanho do salto que será com o acesso em massa à informação. Além disso, os efeitos negativos agiram sobre indivíduos, enquanto os positivos afetaram toda uma comunidade. Os cuidados com saúde e curadoria são legítimos, mas eu estou mais otimista do que pessimista.

I’m back!

Acabei de ver que faz mais de um ano que postei aqui pela última vez. Nesse meio tempo, eu também postei (e depois sumi por um tempão) no tumblr e no Posterous, mas acho que o WordPress é quem vai me servir melhor mesmo, então vou trazer tudo de volta pra cá e voltar a ter alguma atividade por aqui. Aguardem!